A comunicação “cara a cara” ajuda prevenir a depressão

“Vivendo no mundo, vivemos com os outros e para os outros e orientamos nossas vidas em direção a eles. Ao vivenciá-los, nos juntando a eles numa atividade e em um trabalho comum, os influenciamos e recebemos, por nossa vez, sua influência, entendendo o comportamento dos outros e supondo que eles entendam o nosso.” Alfred Schütz

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Hoje, a comunicação através das redes sociais e o uso da telefonia ou correios eletrônicos (e-mail) são definitivamente um dos avanços tecnológicos com maiores vantagens e  melhor utilização pela humanidade. No entanto, verifica-se que o uso excessivo dessas ferramentas apresentam efeitos negativos e que podem conduzir a distúrbios emocionais que contribuem para o aumento da depressão.
De acordo com estudos científicos recentes e segundo o que explica o diretor David Mohr, do Centro de Tecnologia da intervenção comportamental na Escola Feinberg de Medicina da Universidade de Northwestern, um dos sintomas da depressão é apresentado por pessoas que realizam menor número de atividades na vida real não aparece naquelas que têm um maior contato com amigos e entes queridos através do telefone celular ou outros meios eletrônicos.
Ao mesmo tempo, um experimento realizado pela Associação Americana de Geriatria também revelou que os participantes que tiveram regularmente  contato pessoal com sua família e amigos, apresentaram menor probabilidade de relatar sintomas de depressão em comparação com os participantes que se comunicavam através do e-mail, redes sociais ou telefone. Alan Teo, professor assistente de psiquiatria na Universidade de Oregon Health and Science diz: “nem todas as formas de socialização são iguais.” Os telefonemas e comunicações digitais com amigos ou com a família não têm o mesmo poder que as interações cara a cara para ajudar a evitar a depressão”.
Em pesquisa realizada na Universidade de Michigan, em mais de 11.000 adultos com mais de cinquenta anos, o professor Alan Teo e seus colegas descobriram que aquelas pessoas que mais frequentemente utilizaram meios eletrônicos em suas relações eram mais propensas a sofrer de depressão em um prazo de dois anos depois de experimentarem o uso desses meios, enquanto aqueles, cujas relações foram cimentadas em uma comunicação mais pessoal, cara a cara, não apresentaram nenhum sintoma.
Evidencias científica e empírica demonstram que desde a infância, os seres humanos precisam de contato físico, comunicação e proximidade com os outros. Como indica o antropólogo Ashley Montagu:  “não há dúvida de que a estimulação tátil é necessária para o desenvolvimento saudável”, enquanto “a solidão é um estado de desconexão, de estar fora de contato com outras pessoas ou de querer estar com alguém que não está presente, não ter alguém para ligar para afirmar a nossa humanidade essencial.” Assim, desde a infância, o ser humano desenvolve melhor a habilidade da ternura, carinho e empatia ao descobrir-se fisicamente próximo dos demais para  sentir-se pleno e feliz.
Em consequência, pode-se dizer que a interação pessoal entre os grupos humanos permite a internalização do mundo, o fortalecimento das relações interpessoais e da organização social como um pré-requisito para a construção coletiva da felicidade. A influência do contato físico, da conexão com outros “cara a cara” em diferentes formas culturais de comunicação humana, ajudam a combater os sintomas da depressão, gerando uma maior ligação afetiva e, portanto, o desenvolvimento do bem-estar individual, familiar, social e coletivo.
Referências:  

Ashley Montagu., (1971), Touching: The human significance of the skin. Columbia University Press. Traducido al Español Ashley Montagú (2004). “El tacto: La importancia de la piel en las relaciones humanas”. Barcelona. Paidós.

Sciencenewsline.com, (2015). Face-to-face Socializing More Powerful Than Phone Calls, Emails in Guarding Against Depression -ScienceNewsline. [online] Available at: http://www.sciencenewsline.com/news/2015100515260024.html [Accessed 9 Nov.2015].

UPI, (2015). Estudio: El uso del celular puede indicar depresión. [Online] Available at: http://espanol.upi.com/Noticias-destacadas/2015/07/16/Estudio-El-uso-del-celular-puede-indicar-depresion/3231437060692/ [Accessed 12 Nov.2015].

Schütz, Alfred., (1979), El problema de la realidad social. Buenos Aires. Amorrortu Editores.

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