Altruísmo, uma tendência programada?

O cuidado em buscar o bem dos outros à custa do seu próprio, ou seja, o altruísmo, nos parece algo inerente à nossa natureza. Pensamos que em muitos casos realizamos ações totalmente desinteressadas, sem recompensa aparente para nós, como por exemplo uma doação anônima ou ajudar um estranho na rua. Todos nós podemos citar numerosos exemplos nos quais não reconhecemos que em nossa intenção não exista outro interesse além do bem comum. Apesar disso, curiosamente, imagens de ressonância magnética indicam que quando realizamos atos altruístas sem querer vantagem para nós mesmos, um centro de recompensa é ativado em nosso cérebro; o mesmo que é ativado, quando, por exemplo, recebemos dinheiro. No panorama do centro de recompensa, impressos em nosso desenvolvimento, doar resulta igual a receber, e a partir desta perspectiva não há diferença de como nosso cérebro compreende ambos os atos. 

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Outros estudos têm descoberto que as zonas do cérebro que analisam nossas relações sociais se ativam antes de que algo seja realizado por uma pessoa. Isto sugere que primeiro examinamos a situação, verificando se essa pessoa pode eventualmente devolver nossa ação, e se avaliamos que ela pode atuar em forma altruísta para nós, teríamos uma maior propensão a corresponder. Já foi assinalado pelos evolucionistas que esta tendência é derivada de um mecanismo de adaptação para sobreviver como, por exemplo, uma árvore poder perder suas folhas no outono para acumular uma camada de nutrientes para o inverno que se aproxima. E mais; primariamente tendemos a ter um instinto mais marcado de ajuda em relação aos nossos parentes consanguíneos, e muito mais forte com nossos filhos. Isto coincide com nossos desejos humanos que buscam preservar a espécie.

A forma latina de administrar, já conhecida, coloca a amigos e familiares em posições de confiança, pois os laços de família são muito fortes entre eles; entretanto, este modelo se opõe ao anglo-saxônico o qual realiza uma seleção mais profissional, inclusive evitando, de forma intencional, a atitude característica dos latinos. Por isso, se infere que a sobrevivência dos mais cooperativos é possivelmente uma das formas mais eficientes de sobrevivência dos mais aptos, em que os neurônios espelho podem desempenhar um papel facilitador para o altruísmo através da empatia que estes proporcionam e para a compressão de certas situações que nos tornam aptos a agir de forma desinteressada.

A sociologia sugere que as necessidades da sociedade costumam ser opostas às do indivíduo em casos particulares, e como o bem comum é o predicado mais importante (subjetivismo social), surge o autossacrifício para obter uma situação melhor para todos, posto que percebe-se que a médio prazo o indivíduo também se beneficiará do esforço realizado.

Considerando que o desenvolvimento de um amor e um ação verdadeiramente altruísta, sem recompensa de nenhum tipo para nós, constitui a direção do progresso humano, portanto, parece-nos que temos um longo caminho a percorrer para alcançar a mudança necessária.

Referências
http://science.howstuffworks.com/life/evolution/unselfish-act.htm
http://www.kabbalahblog.info/2014/03/how-to-understand-still-life-in-a-way-that-prepares-you-for-the-next-stage-of-evolution/
http://www.brainfacts.org/brain-basics/neuroanatomy/articles/2008/mirror-neurons/
http://www.imdb.com/title/tt0094291/