Somente um bom ambiente pode garantir a reinserção social dos excluídos

Hoje em dia vive-se uma sensação de insegurança cidadã(*) crescente e que nos faz agir com medos e temores ao sair para a rua, escola e o trabalho. Também vemos que o aumento de forças policiais não reduzem nosso estresse na presença dos problemas e da crise neste âmbito, e que aumentam por diversos fatores. A história nos tem mostrado que no passado era essa a maneira de manter a ordem e a tranquilidade, porém, o que não se percebe na segurança desejada, mas pelo contrário, a violência persiste, como nos mostram os meios de comunicação; tornando os cidadãos ainda mais vulneráveis. Por isso é necessário abordar tais problemas de um modo diferente, em função da experiência histórica que temos tido, e que na atualidade se executam com resultados surpreendentes.

Geralmente, dentro das comunidades, prevalece o mito de que a insegurança vem de pessoas que entram e saem dos cárceres por diversos fatores, que não conseguiram se reabilitar e também promovem a criminalidade no seio familiar, uma vez que estes preconceitos só ajudam a manter o ciclo de exclusão e agravar a situação da pessoa que deseja reintegrar-se e contribuir com a comunidade. Isso faz com que este coletivo sinta-se mais marginalizado e excluído da sociedade com uma alta probabilidade de repetir a delinquência, não dispondo, portanto, de outras opções. A pergunta é: como podemos aprender a incluir e reinserir na sociedade as pessoas que tememos e que nos causam danos? Como podemos baixar o nível de desconfiança?

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No Instituto Penitenciário de Punta de las Rieles, no Uruguai, foi implementado desde 2010 uma nova forma de administração carcerária, cujo objetivo é reduzir a delinquência e, por conseguinte, a insegurança cidadã. Desde a mudança do conceito do que nós definimos como cárcere e pela denominação de povo (**). Os condenados são tratados como membros de um povo e, com relação a este tratamento, dados mostram que das pessoas que saem de lá apenas 1% volta à criminalidade(***); os que executam esta administração não são oriundos das forças armadas, cada membro deste espaço está obrigado a participar de forma ativa nos trabalhos indicados: “conseguindo que se sintam melhor interiormente, cuidam do seu comportamento para com os demais, e acima de tudo possuem outra forma de ver a vida presente e futura, já que se sentem aptos para reinserir-se na sociedade” como expôs um deles. Se desejamos um futuro bom, diminuir o índice de insegurança e uma convivência sadia, isso vai depender de como nos relacionamos com os demais, qual nível de inclusão utilizaremos, seja com uma pessoa de algum grupo social marginal, incluindo pessoas libertadas da prisão.

Resulta que o bom ambiente determina o comportamento de seus habitantes, inspirando a recíproca de maneira positiva, além de fazer com que as pessoas sejam mais cuidadosas nas ações que executam, criando um ambiente sinérgico para com todos. É uma amostra de que uma pessoa, ao adquirir consciência, contribui para o bem social. Quando alguém é reinserido adequadamente na sociedade não necessita voltar a delinquir, porque é integrado em um grupo onde tudo se torna muito mais fácil, e sem pressão o resultado é uma boa convivência. Se nos concentramos nos pontos fortes e não no contrário, as pessoas, através das suas habilidades particulares agregariam para o bem comum geral. Desta maneira, nossos níveis de intolerância, medo e insegurança seriam reduzidos, porque todos estaríamos aportando algo para o bem-estar comum presente e futuro.

Cada pessoa é única e parte do todo pois na era global não há nada nem alguém que possa estar desconectado deste sistema, mesmo que tenha cometido um crime; isso nos leva a pensar o que podemos fazer pelo nosso bem comum, quão solidários e tolerantes somos, bem como para reparar muitos aspectos da sociedade em situação de crise que observamos no dia a dia. Agora é o momento ideal e propício para começar a realizar grandes mudanças a partir dos nossos pensamentos até as nossas ações. A educação para uma sociedade integral é nossa grande oportunidade de remediar os erros do passado e construir um mundo diferente, para todos por igual.

(*) Insegurança cidadã se define como o temor a possíveis agressões, assaltos, sequestros, violações, das quais podemos ser vítimas. http://blog.pucp.edu.pe/item/6096/definicion-y-causas-de-la-inseguridad-ciudadana-en-el-peru

(**) Segundo RAE cárcere: Local destinado a reclusão de presos;

povo: Conjunto de pessoas de um lugar, região ou país, se tem uma dinâmica de povo e comportam-se como tal.

(***)De cada 300 liberados apenas 4 regressam para a delinquência.

Referência:

http://actualidad.rt.com/actualidad/161467-punta-rieles-carcel-uruguay

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