Um ambiente de trabalho solidário melhora a produtividade e gera fidelidade

Um número crescente de pesquisadores das escolas de negócios dos Estados Unidos formaram um movimento denominado POS (Positive Organization Scholarship) que rompe com a investigação tradicional feita nessa área. Em vez de analisar as falhas da organização, o POS busca exemplos de casos considerados “desvio positivo”, no qual as organizações cultivam, com êxito, a inspiração e a produtividade entre seus trabalhadores. Logo, tratam de averiguar o que é que fazem estes grupos, para que outros possam imitá-los.

Um ambiente de trabalho solidário melhora a proditividade e gera fidelidade

Dentre os estudos de caso, foi indicado um departamento de cobrança no Hospital Jackson, em Michigan, onde 39 pessoas trabalham confinadas num espaço em cubículos. Todo dia se dedicam a cobrar, por telefone, as prestações não pagas. Ninguém pode sustentar que o trabalho seja interessante, embora os funcionários sintam o seu departamento como especial, porque nele as pessoas cuidam umas das outras e até se sentem, uns aos outros, como parte de sua família.

Denise Rousseau, professora de comportamento organizacional da Carnegie Mellon University, observa que “nos dias de hoje é raro encontrar pessoas que consideram seu local de trabalho especial, e que se consideram muito perto de seus colegas de trabalho, e muito menos que os sintam como parte de sua família .”

Rousseau afirma que as razões para o declínio constante das relações empregador/empregado começou na década de 1980, quando as mudanças tecnológicas, a globalização e um mercado volátil de ações empurrou os grandes fabricantes a demitir um número razoável de funcionários. Esta redução dramática nos anos 80 fez com que os funcionários se sentissem traídos e desconfiados de seus empregadores, razão pela qual passaram a se sentir menos apegados e leais aos seus locais de trabalho “.

O Gallup constatou esta afirmação numa pesquisa em que 59% dos trabalhadores norte americanos relataram não se sentirem emocionalmente envolvidos em seu trabalho e 14% sinalizaram se sentirem infelizes. Os pesquisadores de POS estudaram empresas, hospitais e universidades por meio de pesquisas, entrevistas estruturadas e observação, para aprender como as organizações respondem aos empregados quando eles têm alguma dificuldade pessoal. Em alguns locais encontraram exemplos de comportamento solidário dos empregadores para com os trabalhadores com problemas pessoais, quando estes receberam cartões, flores, ajuda financeira, apoio emocional, e até mesmo tempo livre durante esses processos. Em outros casos os trabalhadores se queixaram da falta de empatia ou apoio destas empresas.

Os pesquisadores concluíram “que os funcionários que haviam experimentado a solidariedade de seus empregadores, chefes e colegas demonstraram mais emoções positivas, como alegria e comprometimento com a organização.” Curiosamente, os mesmos resultados também foram encontrados se os funcionários receberam solidariedade de forma direta ou simplesmente a presenciaram.

Desde que as organizações começaram a ter maior burocracia e a medir o sucesso pela confiabilidade e eficiência, as relações no trabalho deixaram de ser consideradas relevantes, mas quando as tensões de casa (problemas familiares) afetam a produtividade no trabalho e geram custos mais elevados em saúde, a assistência solidária, torna-se uma resposta vital. “Se a compaixão cura – e nossa investigação o sugere, então as pessoas que se recuperam dos reveses da vida podem voltar a trabalhar mais rapidamente e este é certamente um tema de interesse para os empresários”, diz Jane Dutton, professora de psicologia da Universidade de Michigan.

Enquanto isso, Thomas Wright, um pesquisador da Universidade de Nevada, concorda que os gerentes fariam bem em prestar mais atenção à saúde mental dos seus empregados. Em vários estudos ele concluiu que o bem estar psicológico representa entre 10 a 25 por cento do rendimento do trabalho de um empregado e este efeito dura até cinco anos. Então, as organizações que estão dispostas a promover um bom ambiente de trabalho têm uma clara vantagem competitiva, portanto, os gestores deveriam tomar conhecimento disto. Quando o tratamento compassivo vem desde a gerência, este contagia toda a organização, mas isto não é uma regra fixa porque nem todas as organizações têm líderes carismáticos. Muitas vezes, estes clima de trabalho solidário vem através dos seus próprios colegas.

Em conclusão, os estudos de caso descobriram que as organizações que incentivavam o contato positivo entre os funcionários através de reuniões e encontros informais, promovem a tendência à níveis mais elevados colaboração entre os empregados. Uma interação frequente dá aos trabalhadores mais oportunidades de perceber e saber quando alguém precisa de ajuda. Finalmente, é relevante indicar que os trabalhadores partilhem atividades complementares além do trabalho diário, porque uma organização que possui união entre seus trabalhadores, tem um terreno mais fértil para a empatia, colaboração e a fidelidade.

Referências: http://greatergood.berkeley.edu/article/item/compassion_across_cubicles

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