A aprendizagem como resultado da interação social

O que fazes grita tão forte que não me permite ouvir o que dizes”

Albert Bandura

A aprendizagem por observação de modelos, segundo Albert Bandura, oferece uma explicação bastante clara sobre o comportamento humano. O ser humano tem a capacidade de aprender por observação direta de outros seres humanos. Esta vantagem, tanto acelera o desenvolvimento de mecanismos cognitivos complexos quanto orienta toda ação que tenha sentido para quem as realiza.

A aprendizagem como resultado da interação social

A observação permite apreender comportamentos que não são habituais no observador, e o efeito que produzem vão determinar se fortalecem ou debilitam outros comportamentos adquiridos previamente, como também se suas consequências são positivas ou negativas. Do mesmo modo, e tal como mencionamos em nosso artigo sobre os neurônios espelho, a observação de uma ação levada a termo por outro indivíduo ativa os neurônios que permitiriam ao observador realizar a mesma ação, atuando como um sistema que permite a compreensão das ações e, portanto, a empatia.

É por isso que este mecanismo é de extrema importância para a aprendizagem pois ele reflete os tipos de interações que estão sendo projetadas, sendo capaz de escolher aquelas que são desejáveis ​​em um contexto educacional positivo, seja em casa ou na escola. As crianças imitam seus pais, educadores, modelos ou ídolos, e são capazes, em maior medida, de imitar seus iguais. Isto aumenta a probabilidade de aprendizagem. Os processos cognitivos que são gerados permitem ao aluno optar, ou não, pela reprodução da ação observada, e isso vai depender de forma direta das consequências que estas geram em todo o ambiente.

Um aspecto importante que surge da interação é o que se espera de ações de natureza marcante, como neste exemplo: se um pai pede a seu filho para ser respeitoso, mas se mostra desrespeitoso com ele, é mais provável que o pedido do pai não tenha nenhum efeito, ou o que é mais lógico ainda imite ou reproduza esta informação oposta de uma forma inconsciente.

Todo o ambiente de uma pessoa torna-se o cenário no qual ela leva ou copia os comportamentos que a formam, por isso, proporcionar um cenário desejável, positivo, colaborativo e respeitoso tem sido sempre o cuidado e o propósito de muitas gerações que dedicaram sua vida ao estudo das teorias de aprendizagem ou das teorias das relações humanas. A abordagem de Bandura, em particular, oferece clareza sobre uma condição essencial do ser humano, mas para que seus resultados sejam positivos requer-se determinação e vontade genuína de contribuir para essa mudança de comportamento. Embora ele tenha concentrado seus objetivos na educação escolar, os mesmos princípios aplicam-se também à educação de adultos.

Nas nossas atividades realizadas em diferentes países temos comprovado que as pessoas gostam de copiar os comportamentos colaborativos e/ou de cooperação em grupo, onde o interesse está centrado na colaboração e na aquisição de um comportamento diferente daquele produzido em ações individualistas.

Como resultado disto, um estado de bem-estar e alegria se revela para todos os participantes. Do mesmo modo, nas palestras sobre conexão oferecidas através de mesas redondas, observa-se como os membros gradualmente incorporam uma visão aberta dos diferentes pontos de vista do assunto em discussão, adquirindo assim um sentido comum do mesmo.

O bom da interação social, como elemento que contribui para aprendizagem por observação, é que por meio dela surge um modelo de convivência cooperativo e emergente bem como uma estrutura básica para uma educação segundo um modelo cooperativo de convivência, revelando assim um novo paradigma para as relações humanas. O trabalho feito até agora com os nossos representantes na América Latina, se propõe a estabelecer os fundamentos de conexão social adequada, considerando que o bem-estar pessoal e o bem estar da sociedade são interdependentes.

Aprender é uma viagem que dura a vida toda, mas deixa vestígios de um grande aprendizado social para o todo e para o indivíduo, além de constituir um trabalho que requer a ação cooperativa de toda uma geração.

Referências: https://prezi.com/7hyqcdq3cgfv/teorias-del-aprendizaje-social-de-albert-bandura/

Albert Bandura é um psicólogo canadense e criador da teoria social de aprendizagem, centrada nos conceitos de reforço e observação. Sustenta que os seres humanos adquirem habilidades e comportamentos de modo operante e instrumental, e que entre a observação e a imitação intervêm fatores cognitivos que ajudam o sujeito a decidir se o observado deve ou não ser imitado .

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