Os valores através da evolução humana

Estamos em uma época de grandes transformações nas relações humanas. Algumas vezes pensamos que temos evoluído em relação ao modo como vivíamos na era primitiva, e outras, descobrimos que nos encontramos muito mais atrás, em uma estagnação de valores ancestrais como a solidariedade, o apoio mútuo e a compaixão. De acordo com o que aprendemos se pensava que a vida nas sociedades arcaicas carecia desses valores, no entanto mesmo que possamos identificar como um produto da evolução humana, estes valores sempre estiveram latentes em cada um de nós, mesmo que muitas vezes não tenhamos a capacidade de os manifestar.

Um novo estudo desenvolvido pelo antropólogo Coqueugniot, da Universidade de Bordeaux na França, nos convida a repensar a ideia preconcebida de que a vida no paleolítico era carente de valores sociais. Essa pesquisa permitiu demonstrar que uma criança que viveu há aproximadamente 100.000 anos na região da Galileia em Israel, teve uma fratura de crânio que lhe produziu inabilidades na fala e o funcionamento social. No entanto, se pode determinar que a criança continuava sendo um membro valioso para sua comunidade, e foi cuidado até a morte, ocorrida poucos anos mais tarde. Mesmo assim encontraram em sua tumba objetos funerários que confirmavam a estima que tinham por ela.

Costuma ocorrer e fica confirmado – dadas as circunstâncias atuais do aumento de enfermidades incapacitantes na infância – que este tipo de situação gera uma mudança de atitude para com o afetado e todo o ambiente familiar. É o pontapé inicial para definir a necessidade do uso de valores nas relações e que há, além das limitações, componentes importantes e insubstituíveis no sistema da vida, dado que não há nada que possa ser descartado, mas que aparecem em nossas vidas por uma razão.

A estas reflexões há que ser agregada uma visão importante; o fato de que com o aumento do egocentrismo as relações de todo tipo e sob qualquer circunstância, hoje se encontram em crise. Antigamente nosso egoísmo não estava tão desenvolvido como agora e era muito mais possível viver em tribos ou comunidades como uma grande família, próximos também à natureza. No decorrer da evolução humana e com aumento do egoísmo, muitas características familiares e tribais foram perdidas.

Acertadamente, existe uma tendência de tentar se recuperar esse tipo de legado através das sabedorias populares dos povos originários e também graças aos aportes da ciência. Desde a antropologia, a psicologia e a sociologia vai ficando cada vez mais claro que somos seres sociais que necessitamos sustentar e manter o valor da família como instituição, com um espírito inclusivo e de apoio mútuo. Desta maneira estaremos transformando a realidade caótica que percebemos e contribuindo para criar uma sociedade na qual cada membro conheça sua importância e trabalhe na construção de um mundo melhor.

Referência: http://www.ancient-origins.net/news-evolution-human-origins/new-study-shows-brain-damaged-child-was-well-cared-100000-years-ago#!byhYUB