O amor na sociedade pós-moderna

Um dos sentimentos mais importantes, que revela o quanto necessitamos uns dos outros, é aquele que surge em um casal e que costumamos chamar amor. Atualmente, na sociedade pós-moderna, o amor está cheio de complexidades. O sentimento amoroso do vínculo do casal é considerado como um tipo complexo de relação, conectado a estados de ânimo positivos e plenos, mas também, como um sentimento efêmero, conflituoso e egoísta. Poderíamos dizer que o sentimento amoroso revela a intensa necessidade do outro, a exaltação, a perda de controle e de rumo. Além disso, é acompanhado de momentos de alegria e crescimento da autoestima quando o amor é correspondido; ainda que o amor, em última análise, seja uma ambivalência contínua.

Amor em sociedade pós-moderna

Nesta época, as novas modalidades do vínculo amoroso carregam como lema “enquanto dure”. Desta maneira, os casais se encontram na incerteza sobre a duração de sua relação e parecem buscar algo ou alguém que lhes explique não só como é o amor de casal, mas como amar. Devemos considerar as características sociais da época em que vivemos, já que impactam de maneira importante nossas ideias, mitos e preconceitos sobre o amor. As conexões sociais de qualquer natureza estão carentes de amor em geral e atravessando, por isto, uma fase crítica em todos os níveis.

A nova forma de pensar do casal pós-moderno se vê influenciada pela busca de prazer, sem considerar as consequências dessa atitude. A vida vale somente em razão de sua qualidade de ser desfrutada, e sua finalidade é proporcionar um prazer rápido e fácil. Isto é reforçado pela influência dos meios de comunicação, em especial a televisão, que oferece ilusões de realidades incertas e artificiais: o ideal do casal perfeito, eternamente jovem, sem filhos e sem laços com a família extensa. O colapso das certezas amorosas e o temor da verdadeira conexão emocional é o que caracteriza a relação do casal pós-moderno.

Neste sentido, o problema apresentado é em definitivo a desconexão com o outro. A incompreensão e a falta de consideração das necessidades do outro num casal, levam a que cada um – individualmente – se concentre egoisticamente na satisfação de seus desejos. Isto gera uma distância que desgasta a ambos até o extremo da separação ou divórcio, para reincidir e fracassar outra vez com o novo parceiro. Ninguém parece compreender que não pode sair do círculo vicioso e repete o mesmo padrão uma, e outra, e outra vez …

Uma vez advertido sobre isto e também da consequência do sofrimento, ger-se uma instância de reflexão que nos permite esclarecer o panorama de nossos fracassos. Começamos a pensar que não fomos educados para aprender a amar, nem sequer para nos conectar com as necessidades do outro. Saímos para a vida apenas com uma base de educação sexual, mas nunca preparados para abordar com consciência uma relação profunda, baseada em ações ou considerações mútuas que nos aproximariam da compreensão da verdadeira essência do amor.

É necessário encontrar o caminho para o ponto de união e conexão que consiga dar uma forma “humana” à relação. Cada um deveria aderir-se à sua outra parte até formar um só corpo, fazendo de duas partes opostas, um todo. Desta forma poderemos experimentar que toda relação consciente é formada por concessões mútuas e por haver transcendido as diferenças. E é aqui, nesta etapa, que estamos preparados para compreender o verdadeiro significado do amor; quando acrescentamos a doação mútua no casal, quando o outro nos importa tanto ou mais do que nós mesmos. Então, nos afastamos de lado e permitimos ao outro entrar nesse lugar de nossa vida que permanecia vazio; e também o outro nos abre suas portas para que possamos doar-lhe o melhor que temos, no nível interno. Desta forma o amor surge espontaneamente e prepara o terreno para o surgimento de uma verdadeira família, forjada em uma base de garantia mútua, cujo sentimento interno se descreveria como amor.

Referencias: Eguiluz, L. (2007), Entendiendo a la pareja. México: Pax.

http://www.theeuropean-magazine.com/barbara-kuchler–2/8648-love-and-the-modern-society

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